Escravo de uma vagina

I WANT YOUR SEX

Na maior parte do tempo, I Want Your Sex pode parecer simplesmente tolo em sua ousadia cômica sobre sexo. Mas é saudável ver o ex-enfant terrible do cinema queer, agora com 66 anos, confrontar a caretice da Geração Z brincando com dildos, straps e penetração anal.

É claro que o filme de Gregg Araki seria uma brochada geral se não contasse com a química dos atores Cooper Hoffman (filho de Philip Seymour Hoffman) e Olivia Wilde (a deslumbrante anfitriã de O Convite). Ele faz Elliot, jovem sem atrativos nem desenvoltura que consegue um emprego no ateliê da fogosa artista Erika Tracy, que explora o erotismo em seus trabalhos de vanguarda.

A primeira ocupação dele é mascar chicletes que serão coladas numa das obras dela. O sarro com as vulgaridades da arte contemporânea inclui uma instalação sonorizada com os gemidos de Erika se masturbando. Na cenografia, nos figurinos e nas posturas, Araki nos convida a uma trip razoavelmente divertida pelas excentricidades do hipermoderno.

Numa referência oblíqua a Crepúsculo dos Deuses, o filme parte em flashbacks do momento em que Elliot, vestido com roupas íntimas femininas, encontra o corpo de Erika boiando na piscina. Apaixonado pela patroa, ele havia se envolvido num jogo de manipulação e submissão sexual.

Numa época em que a arte se confunde com a mera celebridade, a sátira de I Want Your Sex tem certa agudeza. Mas nada que vá além da brincadeira com as fantasias sexuais de ambos os sexos normativos.

>> I Want Your Sex está nos cinemas.

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